O professor é a figura fundamental no processo educativo. Ele se responsabiliza, desde a infância, pelo desenvolvimento dos cidadãos, ensinando-os sobre as diversas áreas do conhecimento e da vivência humana. Ele é um facilitador do conhecimento que gera no estudante a dúvida, a reflexão e a contradição. Desta forma, o professor é o ponto inicial do aprendizado, levando o estudante a questionar, inovar, desenvolver e procurar respostas para as perguntas que devem surgir no processo educativo.

No semiárido, esse processo vem sendo desenvolvido a partir da proposta da Educação Contextualizada. Essa educação consiste no ensino-aprendizagem vinculado ao lugar onde o sujeito está inserido, entendendo sua realidade, e a partir dela, podendo desenvolver-se individual e coletivamente.

O educador Falcão Junior foi um dos facilitadores da Oficina de Educação Contextualizada promovida pela Cáritas Ceará.

Tendo consciência da importância dessa forma de educar, a Cáritas Regional Ceará realizou a Oficina de Educação Contextualizada, que foi oferecida aos educadores, coordenadores e gestores de 15 municípios para a propagação das informações aos alunos, à sociedade e aos poderes municipais. A oficina faz parte do projeto Cisterna nas Escolas, desenvolvido pela Cáritas através da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Agrário. O projeto tem como objetivo a implementação de cisternas de 52 mil litros em escolas rurais e o trabalho na perspectiva da educação e da água como direito.

A oficina foi dividida em três módulos. O primeiro aconteceu na cidade de Baturité, no Mosteiro dos Jesuítas. O segundo e o terceiro foram realizados na cidade de Guaramiranga. O último módulo ocorreu nos dias 14 e 15 de fevereiro, quando os educadores tiveram a oportunidade de refletir e apresentar experiências de educação contextualizada que estão sendo desenvolvidas a partir das oficinas nas escolas onde atuam.

De acordo com Falcão Junior, educador e um dos facilitadores da oficina, “a educação contextualizada é uma ferramenta de fundamental importância para a mudança do status quo da população atendida, pois problematiza a realidade, dá voz aos sujeitos e ressignifica as práticas sociais”. Falcão propôs duas atividades em grupo. A primeira foi a construção de uma proposta pedagógica de ensino-aprendizagem para apresentar ao poder municipal e à sociedade por meio da Secretaria de Educação. Cada município se organizou e trabalhou suas propostas em cima de um tema que fosse mais próximo da realidade escolar.

O primeiro grupo, do município de Mulungu, trabalhou com o tema “educação no campo é direito e não esmola”, pelo qual desenvolveram os tópicos: objetivos gerais, objetivos específicos, metodologia, etapas do projeto e cronograma. Questões como desmatamento e veneno também foram pautas discutidas. Além da importância da família e dos alunos, que foi trazido como tema pelo grupo de Jaguaruana.

Criação das cartografias, importante ferramenta de compreensão do território.

Em Capistrano, duas escolas foram beneficiadas com o projeto Cisterna nas Escolas. Elas planejam criar uma horta para complementar a alimentação dos alunos, melhorar a qualidade da água (por meio dos cuidados com a cisterna aprendidos durante as etapas de formação do projeto) e fortalecer a parceria com a Cáritas para a construção de mais cisternas.

A segunda atividade do 3ºmódulo da oficina foi a cartografia, pela qual os educadores trabalharam o reconhecimento do território e da escola dentro do Semiárido. Para Anacleto, “é importante (essa atividade) para que a gente saiba se situar melhor no espaço e no tempo”.

Encerramento do terceiro e último módulo da Oficina de Educação Contextualizada do projeto Cisterna nas Escolas.

O encerramento da oficina foi um momento de muita alegria. O olhar dos educadores era de empolgação, de querer colocar em prática tudo o que foi discutido nos módulos. “O que fica dessa formação para nós é de grande importância, foram trocas de experiências que serão ponto de referência para nossas ações dentro do meio que nos inserimos. Não só na escola/comunidade em que trabalhamos, mas em um contexto de vivências em nossa região de Serra, que é semiárida”, afirma Iolanda Furtado, professora do município de Baturité.

Iolanda reforça a importância da Rede Cáritas: “Esse organismo, que é a Cáritas, deixa marcas na consciência do educador, e nos faz repensar: Quem sou eu? O que estou fazendo? Muito foi o legado deixado por vocês. Que possamos ser sal da terra e luz do mundo”.

Saiba mais sobre o projeto clicando aqui!

Você também pode acessar aqui os materiais didáticos produzidos para as escolas.

Texto e fotos por Lívia Carneiro, estagiária de comunicação da Cáritas Regional Ceará.

No related posts.