A educação é base fundamental para a convivência com o Semiárido. É através dela que é possível formar as pessoas em princípios e práticas para conviver com as condições naturais do território e encontrar formas de bem viver. É também possibilidade e missão da educação promover a análise crítica das condições sociopolíticas, a noção e a reivindicação de direitos. A educação deve ser campo de construção de cidadania.

É por isso que a educação contextualizada para a convivência com o Semiárido é um dos pilares do projeto Cisterna nas Escolas, desenvolvido pela Cáritas Ceará em 15 municípios do Estado – Acarape, Aracati, Aracoiaba, Aratuba, Baturité, Beberibe, Capistrano, Guaramiranga, Itapiúna, Jaguaruana, Mulungu, Pacatuba, Pacoti, Palmácia e Redenção. O projeto tem como meta a construção de 53 cisternas de placa de 52 mil litros de capacidade de armazenamento de água para o consumo humano: beber e preparar as refeições.

Apresentação dos trabalhos de grupo da oficina.

Nos últimos dias 13 e 14 de dezembro, foi realizado o primeiro módulo da oficina Construindo saberes sobre a Educação Contextualizada para a convivência com o Semiárido. Representações das secretarias de educação e das escolas de 14 municípios estiveram presentes com 90 educadoras, educadores e gestores. A oficina foi assessorada pela educadora popular Amanda Lima e pelo pedagogo Falcão Júnior, ambos educadores da Escola Família Agrícola da Ibiapaba – Chico Antônio Bié. Para Amanda, o projeto gera uma quebra de paradigma nas escolas das áreas rurais do Semiárido. “Chegar com a educação contextualizada é você pensar uma nova proposta metodológica para as escolas. Trazer para dentro das escolas a realidade daqueles alunos que estão li no processo de ensino-aprendizagem todos os dias. É você pensar numa forma de como desenvolver o pensar, a leitura, a matemática, mas trazendo a realidade daqueles alunos pra dentro da escola. E só assim eles conseguem envolver a comunidade, envolver os pais”, conclui. Evandro Clementino Ferreira, professor da Escola Osório Julião, da comunidade quilombola Serra do Evaristo, na zona rural de Baturité, concorda com a educadora: “Ela (ed. contextualizada) nos leva a fazer essa aproximação escola e comunidade. Trazendo para dentro da escola a realidade, os saberes, os fazeres da comunidade. Tornando a aprendizagem, para os nossos alunos, mais significativa”. Sobre a oficina, ele afirma que é um processo de formação interessante, “porque nos leva a repensar, enquanto educadores, o tipo de educação que nós estamos fazendo”.

Participantes da Oficina de Educação Contextualizada do projeto Cisterna as Escolas.

Com o intuito de partilhar esses saberes e difundir entre educadoras e educadores os princípios e práticas da educação contextualizada, a formação em três módulos sobre o tema é a ação estruturante do projeto. “Todo o trabalho de implementação da cisterna de placa na escola é o que abre caminho para promover o debate sobre o direito à água, e, consequentemente, sobre a convivência com o Semiárido e a educação contextualizada. Isso não apenas com as crianças e adolescentes, mas com educadoras, educadores, merendeiras e gestoras”, diz Alessandro Nunes, coordenador do projeto Cisterna nas Escolas e assessor da Cáritas Regional Ceará.

As formações e outras ações realizadas a partir do projeto tem surtido efeito. Jorge Augusto, técnico da Secretaria Municipal de Educação de Jaguaruana, fala que o órgão assumiu o compromisso em levar a educação contextualizada para as escolas do município a partir do projeto, compreendendo a importância da convivência, para que não fique fadado às pessoas do campo irem para a cidade em busca de boas condições de vida. No caso da Escola Maria Vidal Marques, de Pacoti, a educação contextualizada já vem sendo colocada em prática. “A gente faz visita nas comunidades, nas casas dos alunos, procurando entender como eles vivem, qual a realidade deles, e assim, em sala de aula, o professor conseguir repassar o conteúdo contextualizando com a realidade em que ele convive”, compartilha a coordenadora da escola Clenilda Castro.

A turma de educadoras/es e gestores das secretarias dos municípios participantes do projeto Cisterna nas Escolas passarão ainda por mais dois módulos da oficina de Educação Contextualizada em janeiro e fevereiro de 2019. O projeto tem apoio da Secretaria de Desenvolvimento Agrário do Ceará e do Ministério de Desenvolvimento Social e Agrário.

Por Raquel Dantas, Cáritas Regional Ceará. Fotos: Elder Lima

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