Após a missa presidida pelo presidente da CNBB Regional NE 1, dom José Antônio Aparecido Tosi Marques, na Capela da Casa de Retiros das Irmãs Josefinas, em Fortaleza, teve início o último dia do Conser que reúne bispos, padres, religiosas e leigos representantes das Comissões, Pastorais e Organismos de todo o Ceará.

Neste terceiro dia, as reflexões estiveram voltadas para o diagnóstico da realidade das Pastorais Sociais e Organismos, presentes nas dioceses do regional, e a situação dos migrantes e refugiados, especialmente os venezuelanos, tendo em vista a realização de ações concretas do Regional junto a Pastoral do Migrante.

“O Conser é um momento muito precioso em que se reúne toda a Igreja do Ceará, através de pessoas que são responsáveis e representantes: os bispos que fazem o Conselho Episcopal e os colaboradores muito próximos, que trabalham conosco com o coração da Igreja. É um momento muito vivo. Nesta edição retomamos o Documento de Fortaleza, porque ele tem considerações importantes que não podem ser passageiras, mas que deve iluminar nossa caminhada nos cinco regionais da CNBB no Nordeste. O momento com os bispos foi riquíssimo, de partilha, de fraternidade, um exercício de colegialidade, de comunhão e discernimento que agora deve se desdobrar nas dioceses, em toda a Igreja. Foi um belo exercício de diálogo, comunhão, busca comum, sinodal, como diz o Papa Francisco, de caminhar juntos. A gente sente que estamos caminhando juntos com os desafios que são grandes, mas que, com a força de Deus e a luz da fé, que é muito maior, graças a Deus, em nosso coração”, avaliou dom José Antônio.

Esta edição do Conser, que teve início na última segunda- feira, sendo concluída nesta quarta- feira, após o almoço.

Logo na primeira pauta foram apresentados os resultados de questionários enviados às dioceses, sobre a existência, atuação e desafios das Pastorais Sociais e Organismos presentes no Ceará. Após o levantamento foi concluído que, a ação social no regional é, em sua maioria, voluntária e conta com 3.767 agentes, que acompanham 46.860 famílias e 84.267 pessoas.

O relatório também apresentou quais são as pastorais sociais que atuam no Estado, sendo elas: Pastoral Carcerária, Pastoral do Povo de Rua, Pastoral do Menor, Pastoral da Criança, Pastoral da Sobriedade, Pastoral da AIDS, Pastoral da Pessoa Idosa, Pastoral Operária, Pastoral da Saúde, Conselho Pastoral dos Pescadores, Comissão Pastoral da Terra e o Serviço Pastoral do Migrante.

Sobre os Organismos, foram identificados: Cáritas, Comissão Brasileira de Justiça e Paz, Centro de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos da Arquidiocese de Fortaleza (CDPDH), Centro de Defesa da Vida Herbert de Souza (CDVHS), Centro de Promoção da Vida Dom Helder Câmara (CPVDHC), Centro de Defesa dos Direitos Humanos Antônio Conselheiro (CDDH-AC), Conselho Indigenista Missionário (CIMI).

“Estes dados apresentados serve pra gente sistematizar e apresentar nossas ações, enquanto regional, na ação pastoral e pastoral social, mas também para nos ajudar a pensar a nossa sustentabilidade das ações e como a gente pode ampliá-las, porque, até o momento, elas são muito positivas, estão defendendo a vida, construindo solidariedade, justiça e paz. A ideia é pensarmos como podemos contribuir e avançar e que não fique só nas pastorais sociais, mas que o conjunto das pastorais da Igreja possa ter conhecimento e nos ajudar. Esperamos criar um grande elo, de mãos dadas na construção de uma nova sociedade a partir dos princípios cristãos”, disse Regilvania Matheus, coordenadora da Cáritas e das Pastorais Sociais do Regional.

Após a amostragem dos resultados, foi dada a sugestão de se criar um Fundo Regional de Solidariedade, especifico para as ações da articulação regional das Pastorais Sociais, CEBs e Organismos, que deve ser administrado pela Coordenação Colegiada Regional, com acompanhamento da CNBB, por meio de um Projeto Estratégico de Sustentabilidade que envolva as nove dioceses do regional.

Migrantes e Refugiados

Ao fim da missa de abertura do terceiro dia do Conser a diocese de Sobral entregou à diocese de Crato a mala com cartas de Migrantes. Esta ação, somada a explanação sobre a situação dos migrantes e refugiados no Brasil, foi refletida como segunda pauta do dia.

“Queremos, primeiro, sensibilizar nossos pastores, as coordenações de pastorais, o regional como um todo, sobre esta situação, de como estão estes irmãos e irmãs e, a partir daí, definirmos, enquanto regional, o que podemos propor de acolhida, de campanha de solidariedade aos irmãos que estão hoje em Roraima. Queremos construir possibilidades. Enquanto regional Nordeste 1 a gente se solidariza e acredita que sim, o nosso regional pode contribuir nesta caminhada”, disse Patrícia Amorim, assessora da CNBB e representante da Cáritas.

Ricardo Dju, de Guiné-Bissaú, partilhou sua experiência como migrante no Brasil durante o Conser.

Para explicar a situação migratória, o jovem Ricardo Dju, vindo da Guiné-Bissaú, partilhou sua experiência enquanto migrante. Ele chegou ao Brasil em 2012, a fim de se graduar em Direito. Disse ter sido muito bem acolhido no Brasil, especialmente no Ceará, mas que passou por muitas situações de preconceitos, racismo. Emocionado, agradeceu publicamente, durante a reunião, o apoio dado pela Pastoral do Migrante do Estado, durante estes seis anos. Como forma de gratidão, hoje ele é um dos membros da Pastoral e ajuda outros migrantes e refugiados que chegam até aqui.

Os membros do Conser também assistiram um vídeo, enviado pelo bispo de Roraima, dom Mario Antônio da Silva, onde estão mais de 60 mil migrante e refugiados vindos da Venezuela. No comunicado, o bispo disse que em Roraima, os migrantes e refugiados necessitam de alimentos, roupas, remédios, segurança e abrigo.

O Projeto Compartilhe a iagem, onde malas estão passando pelo Brasil com cartas contando histórias dos migrantes e refugiados, como a recebida pela diocese de Crato na manhã de hoje, serve também para que as dioceses possam pensar ações e propostas sobre esta situação, percebendo os maiores desafios. A partir do que for vivenciado deve ser realizada audiências públicas nacional, trazendo os grandes desafios dos refugiados nos país. Algumas histórias, serão sistematizadas em um caderno, para valorizar as histórias de algumas dessas pessoas.

No Ceará, a Mala já passou pelas dioceses de Tianguá, Sobral e Crateús. Hoje Crato recebeu e deve repassar para diocese de Iguatu próximo domingo. De lá, ela segue para Limoeiro do Norte, depois Fortaleza e Itapipoca.

Encaminhamentos

A Cáritas deixou algumas propostas de iniciativas regional e diocesanas:

– Sensibilização do tema e identificação de migrantes e/ou refugiados nas dioceses (Projeto Mala Compartilhe a Viagem);

– Campanha de doação de alimentos para Diocese de Roraima, como gesto concreto do Dia do Pobre, a ser celebrado em 18 de novembro;

– Diálogo com o governo do Estado para construção de ações conjuntas;

– Adesão das dioceses ao plano de acolhimento e integração;

– Fortalecimento da pastoral do migrante em nosso regional.

O intuito é atender o apelo do Papa Francisco de acolher, proteger, promover e integrar as pessoas que vivem em situação de migração e refúgio.
Por Jornalista Patrícia Silva (MTE 3815/CE) pelo site da Diocese de Crato.
Fotos: Alex Ferreira

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