Nossa vida é feita de momentos, de encontros, de partilha, de doação e de muita troca. Troca essa que se viu na XIV Feira da Agricultura Familiar e Economia Popular Solidária dos territórios Inhamuns e Crateús, que contou também com muitos encontros e partilhas de diversos povos, culturas, tradições e profissões. A Feira foi realizada na Praça Gentil Cardoso, no município de Crateús, no sertão do Ceará. Durante a feira teve encontro de pescadoras e pescadores artesanais do semiárido brasileiro, teve encontro da juventude cearense, teve encontro do voluntariado Cáritas, teve assembleia de feirantes, mostra de cinema, comercialização pensando em uma economia solidária, teve riso, teve amor, teve vontade de fazer da Feira de Crateús um marco para a agricultura familiar do semiárido.

E toda essa mistura trouxe vários sotaques, gente de todo canto deste Brasil irreverente e rico. Mais de 25 mil pessoas circularam pela Praça Gentil Cardoso, nos dias 7 e 8 de junho de 2018. Este ano, a Feira trouxe cerca de 360 feirantes para comercializar seus produtos: muito artesanato, produtos da agricultura familiar sem agrotóxico e comida do sertão. Mais de 20 organizações que atuam nos territórios de Inhamuns e Crateús e mais de 100 voluntárias e voluntários se dedicaram para fazer da XIV Feira da Agricultura Familiar e Economia Popular Solidária dos territórios Inhamuns e Crateús a grande festa da resistência do sertão cearense e valorização da agricultura do semiárido brasileiro.

O agricultor José Maria de Sousa Chaves, da comunidade de Santana, em Crateús, participa há 14 anos da feira: “Desde quando começou a feira eu nunca faltei. Eu gosto muito de participar e poder vender meus produtos. É muito importante participar da feira porque me ajuda no meu dia a dia, eu vendo o que produzo na minha propriedade: mel de abelha, feijão, aceite de pequi”. Sempre com um sorriso no rosto, Seu José Maria disse ainda que depois que ele começou a participar da Feira a vida dele mudou muito. Ajudou não só na renda familiar, mas também melhorou a saúde. “Participar da feira me anima, melhora minha saúde. Me preparo o ano todo para estar na feira e vender meus produtos”.

Pela primeira vez, a agricultora Maria de Fátima Bezerra da Silva, da comunidade de Lagoa dos Bois, em Ararendá, participou da Feira da Agricultura Familiar. Maria afirmou que gostou muito e vendeu bastante nos dois dias da Praça: “Gostei muito, vendi bastante. Participar da Feira é importante para melhorar nossa condição financeira. Tenho 5 filhos, são 17 pessoas em casa, e com a renda que consegui aqui, vai ajudar muito em casa”.

Em uma época em que se discute acabar com as casas de semente, que tenta desvalorizar a agricultura familiar, desacreditar a ideia de uma economia popular e solidária, a Feira da Agricultura Familiar vem mostrar que uma construção coletiva e do bem comum é possível. “A 14ª edição da Feira da Agricultura é uma construção que leva um ano inteiro, mas a vivência destes dois dias onde grupos de pessoas se encontram para um trabalho de formação, comercialização é uma partilha de experiências, de enriquecimento, de descobertas. A feira é uma construção coletiva e partilhada que evidencia a solidificação do exercício da solidariedade”, afirmou o presidente da Cáritas de Crateús Pe. Geu. O Padre Geu ainda lembrou que vivenciar os dias de feira é prazeroso, porque ajuda a sentir de forma mais profunda este projeto de vida e partilha, no qual o trabalho não é para uma pessoa, e sim para uma comunidade, buscando o bem viver coletivo.

Nesta 14ª Edição, a Feira abraçou vários encontros e momentos. Teve oficinas sobre beneficiamento da produção, implementação do reuso das águas cinzas, manejo sanitário de caprinos e ovinos, artesanato e reciclagem, seminário de apicultura, palestra sobre educação contextualizada, mediação de conflitos e manejo sustentável da caatinga. Participantes ainda conheceram diversas experiências do sertão com os intercâmbios em quintais produtivos, educação contextualizada, experiências de mulheres construindo bem viver, resistência a mineração e preservação da caatinga. Ainda teve a Assembleia Popular da Juventude, a I Mostra de Cinema temática, o II Encontro Nacional do Voluntariado da Cáritas, a Semana da Geografia do IFCE e o I Seminário Interestadual de Pescadoras e Pescadores artesanais de águas continentais.

E já são 14 anos de resistência e luta para escrever e pontuar a história da agricultura familiar do semiárido no cenário nacional. Dar voz aos agricultores e agricultoras para mostrar as belezas destas terras que muito ficou esquecida. E mais, não só a agricultura familiar ganhou espaço nesta grande ciranda, mas outras vozes silenciadas agora fazem parte desta celebração da vida: pescadores e pescadoras artesanais, a juventude e indígenas. E nesta busca pelo bem viver coletivo, a Feira da Agricultura Familiar e Economia Popular Solidária dos territórios Inhamuns e Crateús completará 15 anos no próximo ano.

Celebrar os 15 anos desta grande ciranda que gira em harmonia com o bem viver das famílias do semiárido brasileiro é também construir e reforçar a identidade do sertanejo, do nordestino, do agricultor, da agricultura, do pescador, da pescadora, do artesão, da artesã, da juventude , das comunidades rurais, da vida no campo. É celebrar a vida, a partilha, a solidariedade. Vem com a gente escrever este novo capítulo da XV Feira da Agricultura Familiar e Economia Popular Solidária dos territórios Inhamuns e Crateús.

Por Comunicação Cáritas Diocesana de Crateús
Fotos: Acervo CDC

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