A XVIII Assembleia Regional da Rede Cáritas Ceará foi realizada em Fortaleza entre os dias 16 e 18 de outubro, junto com o VII Encontro das Diretorias, na Casa de Encontro das Irmãs Porciúnculas. A pastoralidade e o bem viver foram os temas escolhidos para esta assembleia, com um primeiro momento de painel e diálogo conduzidos por Ana Maria, agente da Cáritas Arquidiocesana de Fortaleza, refletindo sobre o bem viver pastoral, e por Casé Angatu, indígena Xukuru Tupinambá, da Aldeia Gwarini Taba Atã, em Olivença, na Bahia, trazendo a simplicidade libertadora e de bem viver dos indígenas. Casé é também historiador e professor da Universidade Estadual de Santa Cruz.

Casé Angatu oferece a Rede Cáritas Ceará as reflexões sobre a prática do bem viver indígena. Foto: Edevaldo Melo

Para Ana Maria, um dos desafios para o bem viver pastoral é o movimento interno contrário à essência da pastoralidade. “Nós temos testemunhado a morte da pastoral social com as censuras dentro dos espaços de Igreja. Além do fechamento de novos lugares de missão e de diálogo com grupos sociais, discurso e prática conservadores”, afirma. Casé, por sua vez, nos lembra que o bem viver indígena depende da natureza. “Nós somos naturalmente anticapitalistas, antiburgueses. A lógica capitalista não bate com o nosso bem viver”, enfatiza o conflito.

No segundo dia, Irmã Ilza, da Comissão Pastoral da Terra (CPT), João Joventino, da comunidade quilombola do Cumbe e do Movimento de Pescadores e Pescadoras Artesanais (MPP), e Chico Antônio, da Cáritas Diocesana de Tianguá, compartilharam experiências de atuação como sinais e luzes para os caminhos de construção da sociedade do bem viver. João do Cumbe, como quilombola, tem a mesma compreensão de Casé quanto ao bem viver e a relação intrínseca com a terra e o território. Ele evidencia também o bem viver constantemente ameaçado pelas violações do direito à terra de seu povo e de tantos outros: “Privatizar a natureza significa destruir a relação dos povos com a natureza, destruir a vida e autonomia desses povos”.

Formação das “Tendas do Bem Viver” para discutir as ações da Rede Cáritas Ceará. Foto: Raquel Dantas

À tarde, Tendas do Bem Viver possibilitaram trocas sobre as ações da Cáritas avaliando a realidade atual e os desafios e refazendo compromissos. Economia Popular Solidária; Convivência com o Semiárido, Mudanças Climáticas e Gestão de Riscos; Infância, Adolescência e Juventude foram os temas percorridos da ação da Cáritas. Outra tenda abordou o tema da Migração e Refúgio. A Rede Cáritas Ceará fez o convite à Pastoral do Migrante para diálogo e aproximação, já que internacionalmente a Cáritas está mobilizando a Campanha Mundial Compartilhe a Viagem, de sensibilização sobre migração e refúgio.

A XVIII Assembleia Regional foi eletiva para a secretaria do Regional Ceará. Por unanimidade, Patrícia Amorim foi reeleita como secretária para o próximo quadriênio (2018-2021). O encontro foi também de apresentação e aprovação das ações da Rede Cáritas Ceará e prestação de contas por prioridade estratégica, nacional e regional, do biênio 2015-2016.

No related posts.