Ô de casa, ô de fora
Maria vá ver quem é
São os cantador de reis
Quem mandou foi São José.”
(Canção dos folguedos populares)

A comunidade do Chico Gomes, em meio aos festejos a São José, padroeiro da localidade – e que segundo os sertanejos é o santo que manda chuva ao sertão – acolheu neste dia 15 de março o lançamento da campanha “Água Nossa de Cada Dia” na região do Cariri e o Seminário das Águas, realizado pela Caritas Diocesana de Crato e pelo Fórum Araripense de Prevenção e combate à desertificação. O evento contou com a participação de instituições, movimentos sociais e poder público como COGERH, AQUASIS, ACB, UFCA, FLOR DE PEQUI, STTR, Mandato do Vereador Amadeu de Freitas – PT, Fórum Popular das Águas e Levante Popular da Juventude; com as comunidades do Chico Gomes e Baixio das Palmeiras, a Igreja Luterana e as mulheres do Coco da Bateira.

Animada pelo som dos tambores, rabeca e pífano e pela mística da chapada do Araripe, a programação teve início às oito horas da manhã com café e poesia. Em circulo e ainda embalados/as pela música, foi feita uma rodada de apresentação. Em seguida, Angelita Maciel, da Cáritas do Crato, falou da campanha Água Nossa de Cada Dia iniciada pela Cáritas Regional Ceará em 2015 e nacionalizada pela Caritas Brasileira em 2016. “O objetivo da campanha é alertar a sociedade sobre a problemática na distribuição das águas no Brasil. Ao longo da história os pobres são os mais prejudicados com a seca”, afirmou Angelita. Para Zé de Teta, agricultor do Baixio, “a água ainda não é nossa, pois nós temos que fechar nossas torneiras, pagar a conta, e a indústria e o agronegócio a utilizam em abundância, com incentivos fiscais e ainda contaminam nossos mananciais.”

Lançamento Campanha Água Nossa de Cada Dia na comunidade Chico Gomes, no Crato.

O contexto histórico da gestão de água na região do Cariri foi trazido por Yarlei Brito (COGERH), que apontou como desafio a participação da sociedade nos espaços de tomada de decisões. “É preciso que o Fórum se aproprie da questão técnica para não falarmos besteiras nos espaços e defender coisas sem sentido”, pontuou. Para Gustavo Ramos, do Fórum Popular das Águas, além da questão técnica é preciso também considerar os aspectos políticos e sociais.

O encontro teve ainda a contribuição do Pastor Luterano André que falou da nossa responsabilidade de cuidar do planeta. “Esse tempo de turbulência nos pede fé”, disse Weber Girão, da Associação de Pesquisa de Animais de Ambientes Aquáticos (AQUASIS), ao se referir à conjuntura atual. “É preciso acreditar em nós, combater as nossas pequenas corrupções. São elas que causam os grandes problemas, a mudança está em nós”. Inspirados pelas histórias de vida, contadas por Weber, de Chico da Matilde (Dragão do Mar), Manuel Olimpio Meira (Jacaré), que saiu de Fortaleza de jangada ao Rio de Janeiro para entregar uma carta ao presidente Getúlio pedindo aposentadoria para os pescadores, e David Thoreau, que se negou a pagar imposto para alimentar a indústria da guerra americana e na prisão escreveu o livro desobediência civil inspirando posteriormente líderes como Gandhy e Martin Luter King, ousamos renovar nossa esperança. Fortalecer a nossa fé, com o Santo que mais teve fé, segundo o celebrante da noite Alex Josberto (Diretoria da Cáritas de Crato). Às 20 horas encerramos a programação dando o VIVA a SÃO JOSÉ!

Por Solange Santana, comunicadora da Cáritas Diocesana de Crato. 

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