Neste ano, o Grito dos Excluídos e Excluídas, que comemora 21 anos de história, alerta para a situação de violência em que o país se encontra e cujas vítimas maiores são as juventudes da periferia. Chama a atenção para o papel destruidor dos meios de comunicação de massa, cujo principal objetivo é defender os interesses das classes dominantes, que ditam seus valores e dirigem o pensamento do povo brasileiro.

“Que país é este, que mata gente, que a mídia mente e nos consome?”. Com esse tema o Grito dos Excluídos 2015 convoca não só as pessoas excluídas e oprimidas, mas também as pessoas generosas e solidárias, com fome e sede de justiça, a se unirem na luta pelos direitos conquistados e a serem conquistados.

Na Arquidiocese de Fortaleza comunidades, paróquias, associações de bairros, organizações populares e pastorais sociais realizaram atividades em preparação ao evento que se realiza hoje, 7 de setembro.

Brasil que temos

A participação política da sociedade não pode se resumir ao político-partidário, expressa a cada dois anos nas eleições. Tudo o que fazemos é ato político; precisa, pois, está conectado aos interesses do povo. Se temos um Estado a serviço de interesses econômicos, é dever das forças populares pressioná-lo a assumir o compromisso com o Projeto Popular que colocamos como opção: reforma politica, reforma fiscal, reforma agrária, moradia, transporte e saúde publica de qualidade e de fácil acesso.

Diante de movimentações das ruas que nos levam a questionar a compreensão que se tem de democracia, o Grito dos Excluídos, pelos processos formativos e de articulação que capilariza, tem sido um espaço importante de formação política, sintonizada com as grandes preocupações dos pobres e excluídos do Brasil.

População de Rua

A população de rua faz dos espaços públicos sua moradia, tem sua dignidade ferida e agredida. É exposta cotidianamente a todo tipo de violências, sejam institucionais, sejam simbólicas, sejam de outra natureza. A moradia é o caminho para superar essa situação de exclusão. Portanto chega de omissão. Queremos habitação, moradia para as pessoas em situação de rua.

Juventudes

As juventudes são a semente da sociedade, por isso somos contra uma série de fatores que as marginalizam na cidade, nas periferias urbanas e no campo. Entre esses fatores acontece a massificação dos meios de comunicação social contra a juventude, não compreendendo os seus gritos.

Mídia que mente

O Grito 2015 quer desmentir a mídia burguesa e conservadora. A mídia que mente, deturpa os fatos, cria situações para destruir direitos dos trabalhadores e dos pobres. Os meios de comunicação estão concentrados nas mãos de poucas famílias no Brasil.

A democratização dos meios de comunicação se faz necessária, já que a própria democracia fica comprometida sem uma comunicação em que todos e todas possam falar e ser ouvidos, sem que a diversidade e a pluralidade de ideias existentes no país circulem de forma equilibrada nos meios de comunicação de massa.

A expressão do Papa Francisco “nenhuma família sem casa, nenhum camponês sem-terra e nenhum trabalhador sem direitos” nos compromete ainda mais.

Superemos, com mais firmeza, a exclusão em nosso país, participando da construção de uma sociedade justa, solidária e cuidemos da vida do planeta e do ser humano, como nos convida o papa na Encíclica Laudado Sí.

Fortaleza, 07 de setembro de 2015

Foto: Daniel Macêdo (Enecos/Tal Coletivo)

No related posts.