A teia que liga e aproxima foi o ponto de partida da capacitação sobre gestão da Casa de Sementes na comunidade Umburana, no município de Carnaubal, pertencente ao território da diocese de Tianguá. O curso aconteceu entre os dias 29 e 30 de maio, contando com a participação de 20 famílias cadastradas no projeto Sementes do Semiárido – ASA, executado pela Cáritas Regional no território. Dentre os principais objetivos do projeto está a contribuição para que agricultoras e agricultores tenham acesso às sementes crioulas garantindo a soberania e a segurança alimentar a partir dos princípios da agroecologia.

Capacitação sobre gestão da Casa de Sementes na comunidade Umburana

No inicio da manhã, os participantes trouxeram para a roda os anseios para os dois dias de formação. Aos poucos a teia se formava com a identidade de cada sujeito que ao se apresentar manifestava as expectativas para o curso. O desejo de aprender a cuidar das sementes e transmitir conhecimentos foi marcante na fala de muitos. O agricultor Francisco Ferreira Lima, de 44 anos, carinhosamente chamado de Baixinho, expressa bem esta afirmação: “Vim aprender a escolher minhas sementes, porque a semente do governo não serve pra nós”. As famílias da comunidade seguem a tradição de guardar parte da produção anual garantindo a plantação de sementes saudáveis no ano seguinte. No entanto, no presente inverno, apenas quatro famílias conseguiram armazenar os insumos do ano anterior. Muitas famílias, diante das dificuldades da escassez prolongada, precisaram comer as sementes cultivadas. Mesmo com a certeza de que as sementes do governo são impróprias para serem cultivadas nas terras semiáridas, a falta das nativas não deu alternativa aos produtores.

No decorrer da capacitação, as famílias dialogaram sobre elementos que permeiam a produção agroecológica das sementes da vida e sobre como deve se dar a gestão da Casa de Sementes na perspectiva da organização comunitária.

Por Monaiane Sá, comunicadora popular da Cáritas Diocesana de Tianguá

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