De 15 a 17 de dezembro, a Rede Cearense de Socioeconomia Solidária (RCSES) organizou um seminário em Fortaleza com o intuito de discutir perspectivas para o seu fortalecimento e enraizamento no estado. O encontro reuniu 120 pessoas representantes da rede de todo o território cearense nesses três dias de debate e movimentou a Praça da Igreja de Fátima com o XIII Feirão de Socioeconomia Solidária.

Entrevistamos Glória Carvalho e Izabel Cristina, integrantes da RCSES e agentes da Cáritas Regional Ceará, para falar falar sobre a prática da Economia Solidária, sobre o papel e importância da Rede Cearense de Socioeconomia Solidária e para fazer um balanço sobre o XIII Feirão e o Seminário Estadual.

 

Como podemos traduzir o que é Economia Solidária para quem nunca ouviu falar nessa prática antes? Quais os seus princípios, como ela se estrutura e por que praticar a Economia Solidária?

Podemos compreender a Economia Solidária a partir de três principais vertentes: no campo econômico ela se apresenta como um conjunto de atividades de organização social da produção, distribuição e consumo de bens e serviços, visando essencialmente o bem viver das pessoas e a sustentabilidade ambiental. No campo sócio-político é um movimento social organizado no Brasil e em vários países, se contrapondo ao modelo capitalista, que é excludente e violador de direitos. A Economia Solidária é também uma filosofia de vida, onde as pessoas se dispõem a construir solidariamente uma sociedade justa, fraterna e sustentável.

Os grandes princípios são: cooperação; autogestão; democracia; emancipação; centralidade da vida (ao invés de lucro capitalista); valorização da diversidade, das culturas e saberes locais; justiça social; cuidado com o meio ambiente e com as gerações futuras.

Há várias formas de expressão dessa outra economia, dentre as quais se destacam as cooperativas de produtores/as solidários, os grupos informais que reúnem empreendedores/as solidários/as, as cooperativas de consumo consciente, as redes de cooperativas ou grupos de produção, os clubes de trocas, os bancos comunitários e os fundos rotativos solidários, dentre outras. Nestas formas organizativas os principais sujeitos são agricultores/as familiares, catadores/as de materiais recicláveis, artesãos/ãs, empreendimentos econômicos solidários/produtores solidários do meio urbano e rural, grupos culturais e artistas populares. Homens e mulheres, de todas as gerações, com forte presença feminina. Na sociedade em geral, estão presentes os/as consumidores/as solidários/as, que colaboram solidariamente com a produção cooperativa. Pessoas ligadas às entidades de apoio e fomento, gestores/as públicos e profissionais da área acadêmica também são militantes e sujeitos do movimento de Economia Solidária.

O Ceará tem uma Rede Cearense de Socioeconomia Solidária que reúne grupos e pessoas de todo o território adeptas a esse tipo de economia. Qual a sua função para além da organização desses atores? 

A Rede tem como finalidade articular as forças no campo da Economia Solidária no Ceará integrando Empreendimentos de Economia Solidária (EES ) e Entidades de Apoio e Fomento, sendo ponte com a articulação nacional do Fórum Brasileiro de Economia Solidária (FBES ). De forma organizada faz incidência nas politicas voltadas para Economia Solidária (também conhecida através da sigla ECOSOL) nas três instâncias do governo (federal, estadual e municipal), trabalha o fortalecimento do movimento com a realização de atividades diversas de formação, intercâmbios, feiras e outros. E tem, sobretudo, papel questionador e propositivo na sua intervenção.

O XIII Feirão e o Seminário Estadual acabaram de se encerrar. Qual a avaliação sobre essas atividades? Qual a dimensão política que foi alcançada com os debates através do seminário?

O Seminário Estadual da Rede Cearense de Socioeconomia Solidária (RCSES) foi um momento de culminância após três eventos territoriais e de reuniões regionais que tiveram por objetivo consolidar a criação de fóruns ou redes territoriais de Economia Solidária no Ceará. Ao todo, estão criados sete fóruns/redes, os quais estiveram presentes no Seminário e puderam trazer suas principais conquistas e desafios para se avançar na construção de uma política estadual de Economia Solidária. No seminário foram debatidas as diferentes estratégias para aproximar cada vez mais a Economia Solidária das políticas de desenvolvimento territorial. Os dois painéis temáticos com a presença do Movimento Nacional de Economia Solidária, da Universidade, de entidades de apoio, do grupo de transição do governador Camilo Santana, da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Fortaleza, da Superintendência Regional do Trabalho e do vereador Ronivaldo Maia (presidente da Frente Parlamentar pela Economia Solidária), foram muito propositivos no sentido de se encaminhar uma agenda de diálogos no âmbito estadual e municipal para a criação das leis e  políticas de Economia Solidária. O Seminário entrou no calendário do Feirão anual de Socieconomia Solidária, realizado pela RCSES, sendo a principal formativa deste ano. A feira possibilitou a integração entre produtores/as e consumidores/as, a oferta de produtos agroecológicos e artesanais, além das apresentações culturais e artísticas, de poesias e músicas regionais.

 

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