Os agricultores/as acampados em frente à sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA) em Fortaleza desde o dia 11 retornaram para casa. Depois de uma semana de intensas reuniões, audiências e negociações com diversos órgãos ligados às questões agrárias, água e energia, os camponeses voltaram com esperança pelo cumprimento das promessas, porem vigilantes e prontos para reagir caso não sejam cumpridas.

O Movimento dos Trabalhadores/as sem Terra (MST) junto com a Cáritas Diocesana de Limoeiro do Norte e apoio da Cáritas Regional Ceará unificaram as lutas e participaram de todas as negociações. O movimento apresentou uma pauta extensa de reivindicações dos territórios de Tabuleiro de Russas, Chapada do Apodi, Barragem do Figueiredo e Lago de Fronteiras (Crateús) atingidos pelas grandes obras capitalistas de apoio ao agronegócio.

Além das reivindicações várias denúncias foram levantadas, dentre elas o não cumprimento dos acordos feitos nas inúmeras audiências já realizadas ao longo desse ano.

Os territórios em questão há anos sofrem com a construção de projetos que beneficiam o crescimento do agronegócio provocando a expulsão de várias famílias e colocando em risco a terra, água, biodiversidade, moradia e a saúde de camponeses que se submetem trabalhar nas fazendas com a manipulação de agrotóxicos. Já tem casos comprovados de morte causados pelo contato com o veneno. Outra situação que coloca em risco a vida da população e do ecossistema é a instalação de minas para exploração de fosfato e urânio como é o caso da Mina de Itataia em Santa Quitéria e Ipaporanga situada na microrregião do sertão de Crateús.

Os agricultores ainda reclamam a falta de informação dos órgãos do governo que se apropriam das comunidades de forma desrespeitosa, sem pedir licença gerando incertezas e desespero das famílias.

Todas essas questões foram manifestadas nas reuniões. De cada órgão INCRA, DNOCS, Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA), Secretaria de Recursos Hídricos (SRH) e Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (CHESF) os agricultores e a comissão de negociação ouviram dos secretários o compromisso de resolver os pontos de pautas relacionados à reforma e perfuração de poços, entrega das casas às famílias que foram removidas para construção de projetos do agronegócio, instalação de energia, instalação de dessalinizadores, construção de cisternas de placa, cestas básicas, lonas, dentre outras demandas.

No próximo dia 27 de novembro haverá uma reunião em Brasília com o Ministério da Integração Nacional, INCRA e Ministério do Desenvolvimento Agrário para garantir que as pautas sejam cumpridas, além de reunião que será marcada com o governador do Ceará.

Para Bernadete Freitas, professora de geografia da FAFIDAM/UECE e doutoranda em geografia humana pela Universidade de São Paulo (USP), que acompanhou o ato e as negociações, a ocupação foi significativa para retomada das pautas de reivindicação e cobrança dos órgãos governamentais.

“O ato foi importante para visibilizar as lutas dos camponeses do Vale do Jaguaribe e do Ceará por terra, água energia e condições de reprodução social. As pautas de negociação foram retomadas. Considero importante e espero que os órgãos do estado cumpram os acordos estabelecidos. Compreendo que a capacidade dos camponeses de resistir e lutar por direitos tem de ser maior do que a capacidade do estado, através dos seus órgãos, a exemplo do DNOCS, de praticar injustiças sociais. Foi esse exercício que os camponeses anunciaram durante os dias de ocupação no INCRA e DNOCS”.

O MST, Cáritas, agricultores/as aguardam que o momento seja de comprometimento com tudo que foi acordado nas reuniões. Esperançosos sim e vigilantes sempre. A luta continua em cada território!

Por Jeane Freitas, comunicadora da Cáritas Regional Ceará

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