Moradores das comunidades do Estreito, Mundo Novo, Lagoa do Barro, e Lagoa do Peixe e Pau D’arco, em Ipaporanga-CE, reuniram-se na noite da última quinta (28/08) para refletirem a respeito da ameaça iminente da instalação de uma mineradora nas Serras da Boa Esperança e do Mundo Novo.

Sem serem consultados previamente, observaram achegada de máquinas e visitas constantes de técnicos e funcionários da suposta empresa que já estariam divulgando promessas de progresso sem explicar os verdadeiros riscos. Por isso foi formada uma comissão por representantes das associações de cada uma dessas localidades. O objetivo dela é impedir a atividade extrativista, embora se reconheça as dificuldades inerentes à empreitada.

Relatos de moradores que moram próximo a lugares onde foi instalada uma mineradora nos afirmam que “houve aumento do número de pessoas com doenças pulmonares, houve destruição de rios e açudes, além das constantes rachaduras nas estruturas de casas por conta das explosões”, explicou o agente Cáritas Lucas Cavalcante, na reunião realizada na comunidade Pau D’Arco, uma das que seria atingida diretamente, caso a implantação da mineradora se concretize. Segundo Lucas, a quantidade de emprego gerada não compensa a destruição da paisagem natural e os problemas de saúde que serão gerados para quem ali mora.

Queimadas geradas por testes da suposta mineradora

Esteve presente à reunião uma comissão formada pelo poder público municipal, que orientou à comissão formada a formular argumentos não apenas para contrapor a instalação do empreendimento, mas também para propor outra maneira de desenvolvimento para Ipaporanga. “Precisamos conversar com cada proprietário de terra necessária para a extração e tentar convencê-los a não venderem seus terrenos. Acreditamos que alguns já foram vendidos, mas precisamos tentar impedir o avanço disso”, propôs Antônia Sousa, líder da comunidade do Estreito.

A população também teme pela quantidade de água que será gasta para a exploração do minério, uma vez que a cidade está localizada no Sertão dos Inhamúns-Crateús, onde se convive com o quarto ano de estiagem prolongada.

Mesmo que se desloque o produto para ser lavado em outra cidade, como ocorre em outras localidades onde funcionam esse tipo de atividade no Semiárido, a quantidade de recursos hídricos para diminuir a poeira seria absurda numa localidade onde a maioria dos açudes já secou. Isso tudo sem contar a quantidade de reservatórios que serão destruídos à medida que a extração tiver iniciado.

Os moradores e as moradoras, assim como a Prefeitura Municipal de Ipaporanga já têm conhecimento de qual empresa executaria os serviços, mas a divulgação só será feita quando for oficial. Sabe-se que o minério é propriedade da união, e que muita gente corre o risco de ser remanejada compulsoriamente caso a atividade extrativista seja liberada pelos órgãos competentes. Sabe-se também que estão sendo realizados vários testes no local já por parte da suposta empresa, alguns dos quais geraram queimadas que atingiram várias propriedades. Um dos objetivos da comissão é se preparar, com intuito de resistir, à audiência pública que é uma das condicionantes para a concretização do negócio.

A Cáritas Diocesana de Crateús, O Instituto Bem Viver, a Paróquia de Ipaporanga, a Igreja Batista da cidade e o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra estão entre as organizações que se comprometeram a dar apoio para as famílias na iminência de serem atingidas por mais um grande projeto que não gera desenvolvimento local e sustentável.

Por Eraldo Paulino, Comunicador Cáritas Diocesana de Crateús

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