Em clima de partilha, a Cáritas Diocesana de Crateús (CDC) recebeu a visita de agentes da Cáritas Diocesana de Iguatu (CDI) nesta quarta e quinta, dias 02 e 03 de julho, para troca de experiências e fortalecimento das ações em favor dos/as excluídos/as. Representantes das duas entidades visitaram na tarde do primeiro dia a comunidade do Irapuá, no município de Nova Russas-CE, que é acompanhada pela CDC desde 2006. No dia seguinte pela manhã dialogaram sobre o raio de ação da organização crateuense.

O sol das duas da tarde honrava sua tradição implacável no Sertão dos Inhamúns-Crateús quando a comitiva formada por representantes das duas Cáritas diocesanas chegou para visitar a comunidade do Irapuá. Além de sorrisos e abraços calorosos, os/as visitantes foram acolhidos no centro comunitário com apresentação de cordel criado e recitado por Giovane Carvalho, diretor da CDC e liderança local. Teve também música cantada pelo coral formado por membros do grupo de jovens, que ainda fizeram apresentação teatral sobre meio ambiente.

Estava na comitiva Dom Ailton Menegussi, que está a frente da Diocese de Crateús há seis meses. “Espero que todo mundo aproveite porque não é todo dia que uma comunidade recebe dois bispos”, descontraiu referindo-se à presença de Dom João José Costa, presidente da CDI. Em seguida visitaram as experiências de avicultura, cisterna de calçadão, apicultura e artesanato. E, finalmente, ouviram testemunhos dos benefícios da educação contextualizada para convivência com o Semiárido, forças motrizes do desenvolvimento local sustentável visível numa das 323 comunidades acompanhadas pela CDC atualmente.

“Antes os comerciantes mandavam trazer pra cá cerca de 80 quilos de ave por mês para alimentação. Hoje a comunidade faz o caminho inverso. É daqui que sai. O excedente da alimentação produzida no próprio quintal elas vendem e geram renda”, afirmou Francisco Eudes, vice-presidente do Sindicato dos trabalhadores Rurais de Nova Russas. O coletivo Mulheres Organizadas Produzindo Aves e Renda (MOPAR), o grupo de agricultoras artesãs de MOARTI, além dos apicultores e produtores de algodão são alguns dos grupos produtivos que possibilitam convivência sustentável com o Semiárido mesmo em períodos de estiagem, diminuindo, assim, o êxodo rural.

Graças à aprendizagem, mesmo em tempo de invernos abaixo da média, as/os agricultores do Irapuá continuam vendendo para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e ao Plano Nacional de Alimentação Escolar (PNAE).

PARTILHA DE SONHOS

Reunião entre agentes das dioceses de Crateús e Iguatu

Além da apresentação feita no dia anterior na comunidade do Irapuá, a comitiva liderada pelo presidente da Cáritas Diocesana de Iguatu (CDI), Dom João José Costa, e formada também por Gerlúcia de Oliveira, Mara Crislane e padre Anastácio Oliveira, assistiu apresentações feitas pela coordenadora da CDC, Erbênia Sousa, e da Associação dos Agricultores/as Familiares em Quintais Produtivos de Quiterianópolis (ASAFAQ), feita por Antônio Gonçalves Lima (Carlinhos), vice-presidente da entidade.

Erbênia explicou como nos últimos três anos foram realizadas 3.849 implementações para convivência com o Semiárido, incluindo 500 quintais produtivos e a preservação de 14 olhos d’água. O raio de ação da CDC, segundo ela, alcança aproximadamente 55.400 pessoas nos 20 municípios do território dos Inhamúns-Crateús, inclusive cidades que não são da área da Diocese de Crateús. “Nenhuma ação nossa é feita sem que a paróquia local seja convidada para a ciranda. Nenhum das/os 19 agentes atualmente contratadas/os trabalha só no projeto que a/o paga. Procuramos estar presentes em toda vida pastoral diocesana”, apresentou.

Por sua vez, Carlinhos apresentou ASAFAQ como mais uma filha da CDC. “Quando a Cáritas não pôde mais nos acompanhar, sistematicamente nós já tínhamos condições de assumir de forma autônoma nossa organização. Viramos parceiros”, explicou. Segundo ele, são realizadas feiras semanais da agricultura familiar em Quiterianópolis e há agricultores/as que conseguem tirar uma renda próxima de dois salários mínimos mensalmente só através do quintal, mesmo no quarto ano de estiagem.

“Desejamos ampliar o raio de ação da Cáritas de Iguatu. Temos o desafio na área rural, onde a juventude não reconhece mais o campo como espaço dela, além de lidar com os desafios do crescimento urbano desordenado”, declarou Dom João. Para ele, essa partilha de experiências foi fundamental para dar ânimo e luz. “Ouvir esses testemunhos deixa a gente com as ideias fervilhando pra ampliar as ações já desenvolvidas na Diocese”, comentou Gerlúcia.

 

Por Eraldo Paulino, assessor de comunicação da Cáritas Diocesana de Crateús

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