“Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse necessário, não havia pobreza no mundo e ninguém morreria de fome”.

Mahatma Gandhi 

 

O dia 5 de junho foi à data escolhida para celebrar o dia Mundial do Meio Ambiente. Desde o ano de 1972 em uma das conferências das Nações Unidas (ONU) a data é lembrada no intuito de promover atividades e servir de alerta para poderes públicos e governos de países dos cuidados que devemos ter com o meio ambiente.

Essa seria a proposta ideal, porém a realidade revela outro cenário que traz consigo diversas violações e desrespeito com a natureza do planeta e com as pessoas, uma dessas violações está interligada a não valorização da função de catador/a de material reciclável. Uma função ainda invisível e que faz toda diferença na paisagem da cidade.

Ontem, cerca de 100 catadores representantes de diversas instituições que estão interligados pela Rede de Catadores/as de material reciclável, se unificaram numa caminhada com os catadores da cidade de Caucaia, distante 12,67 de Fortaleza até a Câmara Municipal para participar de uma audiência pública.

Na pauta eles/as pediram a inclusão dos catadores/as no plano de resíduos sólidos da cidade e entrega do centro de triagem (galpão) para que possam trabalhar com mais dignidade. O galpão está sendo reformado e há tempos as obras estão paradas e sem prazo determinado de entrega.

“Não queremos favor, queremos apenas o direito e melhor condição de trabalho para os recicladores. Faz tempo que a gente espera por esse galpão e até agora não foi concluída a reforma”, relata Áurea Antônia Feitosa, da Associação dos Agentes Ambientais da Jurema (ASSAAJ).

Vários representantes foram convidados dentre eles a Cáritas Arquidiocesana de Fortaleza (CAF), a Rede de Catadores, a Secretaria de Patrimônio e Serviços Públicos (SPSPTrans) e alguns vereadores.

Várias colocações foram feitas a respeito da importância do papel que o catador/as desenvolve na cidade, no cuidado com o meio ambiente e coleta seletiva, no entanto a atividade ainda não é reconhecida como uma profissão.

Para Lilian, educadora e membro da Associação dos Catadores do Jangurussú (ASCAJAN), a cidade tem uma dívida antiga com a categoria. “Há vários anos realizamos esse trabalho e não somos reconhecidos. Trabalhamos sem condições adequadas e nos expomos a doenças. Queremos garantir todos os nossos direitos, inclusive uma aposentadoria”, ressalta.

Ana Maria Freitas, coordenadora da CAF, também ressaltou a importância e valor que os catadores têm com a cidade. “Temos que olhar para eles não como coitados, mais como trabalhadores”, afirma.

Ana comunicou que recentemente 100 catadores foram contratados para trabalhar no entorno da arena castelão nos jogos da copa. Para os catadores esse momento é visto como uma oportunidade, pois da coleta do material reciclado eles retiram seu sustento. “Quanto mais reciclamos, mais trabalhamos e ganhamos”, disseram alguns catadores.

Encaminhamentos da audiência

Foi encaminhada uma visita ao galpão na próxima semana, dia 11, para acompanhar de perto as obras. Para garantir a reforma e entrega do prédio a CAF entrou com ação no Ministério Público para que acompanhe o processo. Também ficou sugerido que na reformulação da lei de resíduos da cidade seja garantida a inclusão dos catadores. A câmara vai encaminhar com o jurídico a possibilidade.

Os catadores ficaram animados com o resultado da audiência, porém vigilantes. “Saímos com esperança, mais não vamos ficar esperando de braços cruzados, vamos continuar resistindo e lutando até que todos os nossos direitos sejam respeitados”, finalizou Lilian.

Por Jeane Freitas, comunicadora Cáritas Regional Ceará

 

 

 

No related posts.