A terceira Romaria dos Mártires realizada na comunidade do Tomé em Limoeiro do Norte, distante 207 km de Fortaleza, reuniu mais de 200 pessoas e fez memória ao agricultor José Maria Filho, conhecido como Zé Maria do Tomé assassinado em abril de 2010 com 19 tiros.

A caminhada que reuniu estudante, amigos, entidades, familiares, representantes de pastorais sociais partiu do local onde Zé Maria morava com sua família e onde foi assassinado e seguiu até a igreja de Nossa Senhora de Fátima. A caminhada foi marcada por rezas, frases de ordem, pedido de justiça e denúncias contra as irregularidades que ocorrem na Chapada do Apodi um dos maiores polos fruticultores do Nordeste.

A morte de Zé Maria que repercutiu internacionalmente se deu pelas denúncias que ele fazia contra os donos de plantações da Chapada que utilizam agrotóxicos para pulverizar as plantações contaminando a água e o solo da comunidade.

Como está o caso

O Ministério Público federal (MPF) entregou denúncia em junho do ano passado para 1ª Vara de Justiça acusando o dono de uma empresa agrícola e um funcionário dele como mandante do crime. Até hoje não há qualquer resposta e o caso continua impune.

O Movimento 21, que integra movimentos sociais, lideranças comunitárias, estudantes, pesquisadores, cientistas, agricultores formado após a morte de Zé Maria acompanha de perto as investigações e tem esperança que o caso de federalize. O Ministério da Justiça solicitou da Polícia Federal desde o ano passado um relatório sobre o caso o que não aconteceu até hoje.

Em audiência pública realizada na manhã do dia 22 de abril deste ano, organizada pela Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará, com a presença do promotor de justiça Felipe Diogo e de movimentos sociais, o caso mais uma vez foi tema de debate.

A conclusão da audiência é que o caso foi concluído com bastante dificuldade, segundo o promotor, e que será encaminhada ação penal.

Agrotóxico que mata a praga e o ser humano

Recentemente um dos jornais de maior veiculação na cidade divulgou a série “Viúvas do Veneno” que relata histórias de pessoas que foram vítimas de intoxicação causada pelo uso dos agrotóxicos nas atividades agrícolas.

São vários os casos espalhados entre os estados do Ceará, Pernambuco, Paraíba e Bahia que vão desde leucemia a doenças de pele que mata e mutila o ser humano aos poucos.

O Sistema Nacional de Informações Toxicológicas já tem confirmado a morte de 171 pessoas contaminadas por agrotóxicos, segundo casos que são notificados.

Há mais de quatro anos o Brasil é o maior consumidor mundial de agrotóxico. Os investimentos no comércio de veneno garantiram somente em 2011 cerca de US$ 8,9 bilhões concentrados em nove empresas.

Segue o link com a série completa. http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=1255561#diariovirtual

Por Jeane Freitas, comunicadora Cáritas Regional Ceará

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